Porque a Linha 28 não atende as normas técnicas

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Em uma determinada época foi realizado um projeto social por empresas e associações do nosso setor de esquadrias. O projeto aconteceu em duas comunidades carentes na zona sul no Rio de Janeiro (RJ), onde moradores selecionados fizeram um curso de serralheria de alumínio para fabricarem suas próprias janelas e se inserirem no mercado de trabalho.

Linha 28, a escolha errada

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Imagem da Linha 28

Embora o projeto pareça comum e de boa visão para o mercado, na prática a iniciativa não se caracterizou positiva, pelo fato de que o curso foi realizado com a linha 28. Não entendo porque essa linha foi escolhida para o treinamento, já que os organizadores têm plena consciência de que lutamos pela sua descontinuidade no Rio de Janeiro, considerando ainda que não é bom para o mercado fomentar linhas que contradizem as normas técnicas vigentes.

Linhas em desacordo com as normas

Para compreender melhor a questão, a linha 28 foi a primeira linha disponível no Brasil, desenvolvida na década de 1960. Na época ainda não existia escova de vedação e o vidro era colocado com massa de vidraceiro. Com o passar do tempo e a introdução de novas tecnologias, uma esquadria fabricada hoje com essa antiga linha não está mais de acordo com as normas estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) — ou seja, com a NBR 10.821. Nessa relação de produtos sem qualidade técnica para os dias de hoje podemos incluir as linhas 25, 30, 42 e módulo prático, todas desenvolvidas entre as décadas de 1960 e 1980. Estas também não passam por todas as exigências da norma atual.

Qualidade, o melhor caminho

Distante dessa ação isolada, grande parte das empresas e dos profissionais do setor mostra seu comprometimento com a qualidade e o desenvolvimento das esquadrias. Todos eles buscam incansavelmente melhorias técnicas para a evolução das esquadras de alumínio no Brasil, o que inclui, por exemplo, a participação ativa nas revisões das normas da ABNT, oferta de cursos realizados com linhas normatizadas e viagens de atualização em feiras internacionais. Ações assim nos norteiam com perspectivas de melhorias futuras.

Penso que no setor de esquadrias não podemos ter mais espaço para a demagogia e a desatualização. O que se escreve para as revistas ou é falado para o mercado tem que ser coerente com as atitudes do dia a dia. As empresas devem manter uma postura ética — e mais: tomar muito cuidado na escolha da parceria e na condução de projetos educacionais, porque uma escolha errada leva a um caminho errado.

Principais normas para esquadrias

As principais normas técnicas utilizadas pelos serralheiros para a fabricação de esquadrias são: NBR 10821, NBR 6123, NBR 15969 e NBR 7199. Elas podem ser adquiridas no site da ABNT, através do link www.abntcatalogo.com.br. Vale uma visita!

Prof. Alexandre Araújo
Especialista em Esquadrias de Alumínio, Fachadas Pele de Vidro e Glazing e Revestimento em ACM. Certificado na Espanha em Esquadrias com Sistema de Câmara Europeia. Ex-instrutor do SENAI e CEFET. Mestre em Sistemas de Gestão pela Qualidade Total – Organizações e Estratégia e Pós-graduado em Marketing. Professor Universitário. Consultor e Instrutor do SEBRAE. Analista de T&D da AFEAL. Sócio-fundador do Canal do Serralheiro. Autor de três livros.

4 COMENTÁRIOS

  1. Excelente matéria sobre caixilhos e muito esclarecedor!!!…são matérias deste género que tornam o Consumidor mais EXIGENTE uma vez que o mesmo sabe o que está Contratando e simultâneamente eleva o nível dos Serralheiros de modo a atender Clientes EXIGENTES!!! Resumindo: todos têm muito a ganhar e o Brasil avança tecnológicamente neste capítulo ainda tão OBSCURO que são as Esquadrias (Caixilharias). Atentamente Arq. Rui Rego (Membro da Ordem dos Arquitectos Portugal N° 6944 e Membro do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil N°A22059-0.

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